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Mulher reconheceu o corpo do marido por videochamada em SP: ‘perdi meu grande amor sem nem poder dar adeus’

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A experiência que teve Katianne dos Santos Palitot, de 41 anos, nunca imaginou que um dia poderia viver. Aconteceu na vida dela, quando soube da morte do marido, José Dias Palitot Júnior, 44 anos, em que teve de reconhecer o corpo do seu amado por videoconferência.

A professora era casada há 18 anos com o servidor público do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-2) de SP, que morreu no dia 30/03, por complicações da infecção causada pelo novo coronavírus, depois de ficar internado no hospital Nsa. Sra. Senhora do Rosário, na Vila Maria, Zona Norte  de SP.

José Palitot deu entrada sentindo muita falta de ar, após não ter estado bem durante alguns dias, mas a família pensou que poderia ser bronquite, por ter tido na infância.

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Ao dar entrada no hospital, ultima vez que a mulher,  Katianne, viu o marido com vida. Os médicos internaram o funcionário público na UTI, após confirmar nos exames o Covid-19.

A esposa, Katianne, contou como foram os últimos dias, que ela disse ter sido “pior experiência da existência”. 

“A última vez que vi o meu marido foi na ambulância, quando ele foi transferido de um hospital para o outro, no ABC. Ele morreu sete dias depois da internação e eu não pude vê-lo, nem dizer adeus. Até o reconhecimento do corpo foi feito por videochamada. Perdi o grande amor da minha vida sem poder olhar pra ele e nem poder dar adeus”, desabafou a esposa continuando.

“Como ele já teve bronquite na infância, a gente achou que estava com alguma crise. Porque, dos sintomas iniciais que estavam sendo divulgados sobre o coronavírus, ele não teve febre, não teve tosse seca e nem coriza. A tosse dele tinha muito catarro e a febre chegou só no dia que decidimos correr para o hospital”.

“Foi a última que vi meu marido. Ele respirava com ajuda de oxigênio e, chegando ao hospital, fui proibida de ter contato com ele. Os médicos me deram um atestado e também me botaram no isolamento domiciliar, porque tive contato com ele e podia estar contaminada. Meu irmão era quem acompanhava o quadro clínico. Diariamente nós saíamos juntos de carro até o hospital para acompanhar os boletins médicos, que eram dados só uma vez por dia. Com máscara, eu ficava no carro e ele ia conversar com os médicos para saber da evolução do tratamento”.

“Meu irmão veio ao carro e disse que o médico queria falar comigo e explicar que o quadro de saúde tinha se agravado. No caminho do estacionamento até o hospital, ele foi me contando que o José tinha tido uma parada cardiorrespiratória e morreu. Na hora, dei um grito e não consegui me aguentar nas minhas próprias pernas. Foi a pior notícia da minha vida”.

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“O médico chorava e dizia que, infelizmente, eu não podia ser abraçada ou consolada porque também podia estar contaminada. Foi uma dor terrível.(…) Fui encaminhada para a sala de uma psicóloga, onde ela dizia que eu precisava me recompor para poder reconhecer o corpo do meu marido. Achei que finalmente poderia me despedir, mas ela disse que não, que ninguém podia ter acesso ao corpo. O reconhecimento foi feito por videochamada. Até o celular do funcionário estava embalado num saco plástico. Só vi o rosto dele e a placa em cima do corpo, com os dados pessoais e a data de nascimento”, relembra Katianne.

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“A mãe dele, de 82 anos, não pode participar. Foram só eu, meu irmão, as irmãs dele e um amigo. Tudo durou uns dez minutos desde a retirada do caixão do carro e o enterro. Fui a única que pode chegar perto do caixão. Pedi para colocarem uma foto dele pregada, porque nem o rosto do grande amor da minha vida, o homem a quem mais amei no mundo e fui amada, pude ver”.

“É uma espera angustiante pra mim. Estou destruída. Depois de tanta angústia, ainda estou presa em casa, sem poder fazer as devidas homenagens ao meu marido. Como o meu irmão diz, se a gente soubesse a causa real da morte, se foi por coronavírus ou não, podia viver o luto ao lado da família, rezar uma missa. Mas nem isso temos conseguido”.

A esposa disse que no atestado de óbito, consta como causa da morte, parada cardiorrespiratória, seguida de suspeita de Covid-19, diabetes e obesidade.

 Katianne fez um alerta às pessoas que não estão acreditando que o Covid-19 é uma doença que pode ser fatal:

“As pessoas que dizem que isso é apenas uma gripezinha, que fazem piada, elas precisam entender o quanto isso é sério. Jamais esquecerei da cara de medo dos funcionários do hospital, do cemitério e da funerária. Todos estão em pânico, por medo dessa doença. Quem diz que o Brasil pode deixar morrer 5 mil pessoas para salvar o País precisa saber que esses mortos têm família, companheiras, sonhos, como eu e o meu marido tínhamos juntos. E tudo foi destruído”.

José Dias Palitot Júnior e a esposa, Katianne Cristina dos Santos Palitot.  — Foto: Acervo Pessoal
Foto: reprodução

Créditos: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/04/02/mulher-reconheceu-o-corpo-do-marido-por-videochamada-em-sp-perdi-meu-grande-amor-sem-nem-nem-poder-dar-adeus.ghtml


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Silvia Cardoso Souza
Professora Silvia, dou aulas no periodo vespertino e escrevo noticias nos sites da rede Maetips. Mãe de dois meninos, Lucas e Renato de 6 e 12 anos. Sejam muito bem vindos.

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